terça-feira, 2 de outubro de 2012

Serra da Mantiqueira

Serra da Mantiqueira
Moldada em rara beleza
Tua Majestade em graça
Brindando a natureza,
Guardas segredos contigo
Não revelados, porém,
Teu encanto e liberdade
Jamais negaste a ninguém,

Serra da Mantiqueira
Coando a respiração
Presente verde encanto
doado sem restrição...

Tuas curvas, teus caminhos
Teu verdor tão livre ao léu;
Imponência exuberante
Cochichando algo aos céus...

Fátima Fleming

sábado, 22 de setembro de 2012

Dívida

Tantas vezes você, tão perto de mim,
Eu desapercebida a não ver ter olhar...
Você vigilante em minha horas escuras
Eu indiferente a não vê-la chegar...

Por mim tantas vezes enfrentaste abismos
Eu insatisfeita sempre a pedir-lhe mais,
Você mãe, em gesto manso e preciso
Fazendo o impossível ao ninar meus ais...

Hoje cansada e nem um pouco contente
Relendo aos passos contigo vividos
Voltei-me mãe, a suplicar-lhe um abraço
E não te encontrei... já havias partido...

Fátima Fleming




quinta-feira, 7 de julho de 2011

Trovas


O luar da madrugada
A refletir na água incolor
Tremulante e prateada;
A imagem do pescador

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Sai cedo sem agasalho
O menino lenhador
Recolhe do frágil galho
Um ninho de beija-flor.

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Guia-me cá nesta vida...
Dá-me tua mão, amigo...
És pra mim luz e guarida
Conforto, pão, doce abrigo...

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 Menina meiga, voz mansa...
    Fala com Deus e adormece...
 Róseos anjos da esperança
Dão-lhe retorno as preces

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Criatura adorada...
À quem dás os beijos teus...
Quem é tua namorada...
És feliz meu semi-deus?

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Fátima Fleming

terça-feira, 5 de julho de 2011

Era Glacial

E esse gelo
A contrair o universo...
A congelar a rima do verso...
Deixando a alma
Sem calma, 
E esse gelo
A fazer medo,
A crispar tantos segredos...


Vem sol esperança
De hálito leve
Derreta esse gelo,
Desfaça essa neve!














Fátima Fleming

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Adeus

Tanto insisti para que partiste...
Pois já não aguentando ouvir tua voz
A dizer-me coisas (se bem que verdades...)
Infeliz decidi viver hoje a sós...

Não fizeste questão, nem levaste tuas coisas...
Saiste em sossego, nem olhaste pra mim...
Tão dono do mundo, tão cheio de si
Deixando-me o nada a mostrar-me o fim...

Olhando teu quarto, quase nada ficou...
Invadiu-me um vazio de dentro pra fora
E uma lágrima essência de arrependimeto
Gritou-me da alma: Teu amor foi embora...
Fátima Fleming

Carência

Menina criança
Menina tão mansa  
E já tão sofrida...
Olhinhos carentes,
A seguir a gente
Na rua comprida...
O que dizer-te agora,                        
Se tanto faz hora                                  
O bem à tua vida?                                  
Vai assim desolada,
Com a fome danada      
Danada e doída...
Sem ninguém ao seu lado
Que lhe de cuidados
Que a queira sarar... 
A dormir ao relento
Sem afeto... Sem alento...
Sem o abraço de um lar.



Fátima Fleming

ABANDONO

Que segredo se esconde
Sob o telhado que existe
Naquela casa tão velha,
Descorada, feia e triste...

Parece feitas de sombras
Umedecida na dor...
Não querendo a luz do sol,
Nem vida alegria ou calor...

Naquela casa fechada
Não há latidos de cão,
Não há o conforto criança,
Pra sorrir...não há razão...

É sozinha e carrancuda
Escondida, fosca e fria,
Até a adorável brisa
Evita dar-lhe bom dia...

De janelas ressequidas
Escondida ao pé do morro
Parece frágil mendiga
A esperar por socorro...


Fátima Fleming