segunda-feira, 9 de maio de 2011

Adeus

Tanto insisti para que partiste...
Pois já não aguentando ouvir tua voz
A dizer-me coisas (se bem que verdades...)
Infeliz decidi viver hoje a sós...

Não fizeste questão, nem levaste tuas coisas...
Saiste em sossego, nem olhaste pra mim...
Tão dono do mundo, tão cheio de si
Deixando-me o nada a mostrar-me o fim...

Olhando teu quarto, quase nada ficou...
Invadiu-me um vazio de dentro pra fora
E uma lágrima essência de arrependimeto
Gritou-me da alma: Teu amor foi embora...
Fátima Fleming

Carência

Menina criança
Menina tão mansa  
E já tão sofrida...
Olhinhos carentes,
A seguir a gente
Na rua comprida...
O que dizer-te agora,                        
Se tanto faz hora                                  
O bem à tua vida?                                  
Vai assim desolada,
Com a fome danada      
Danada e doída...
Sem ninguém ao seu lado
Que lhe de cuidados
Que a queira sarar... 
A dormir ao relento
Sem afeto... Sem alento...
Sem o abraço de um lar.



Fátima Fleming

ABANDONO

Que segredo se esconde
Sob o telhado que existe
Naquela casa tão velha,
Descorada, feia e triste...

Parece feitas de sombras
Umedecida na dor...
Não querendo a luz do sol,
Nem vida alegria ou calor...

Naquela casa fechada
Não há latidos de cão,
Não há o conforto criança,
Pra sorrir...não há razão...

É sozinha e carrancuda
Escondida, fosca e fria,
Até a adorável brisa
Evita dar-lhe bom dia...

De janelas ressequidas
Escondida ao pé do morro
Parece frágil mendiga
A esperar por socorro...


Fátima Fleming