quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ana Lúcia

Ouço-lhe os passos de volta à calçada,
Ouço-lhe a voz em alegria à confortar,
Vens da aula, caderno, gargalhadas...
Adornos que o meu viver vive a cantar...

Meus conselhos te deixam zangada
Vais para o quarto sem sequer me olhar...
Porém preces elevo na madrugada
Para que anjos te iluminem o sonhar!

Tua boneca esqueceste no carrinho
Novidades vês agora em teu caminho...
Em graça vejo-te feliz crescer...

                                                                                       Lembra-te, nas lutas, filha querida
                                                                                       Nem sempre é de vitórias a vida
                                                                                       Faz bem á alma, as vezes perder...

Fátima Fleming

AURORA


Meu coração agasalhou-se no aconchego
Da paz, da paz desta manhã tranqüila e bondosa,
O sopro leve da brisa predomina a sussurrar,
Promessas alentadoras aos lagos, ás arvores...
Os pássaros não estão a cantar nesta manhã;
Apenas pipilam doce e agradavelmente a agradecer
Em oração, juntos comigo ao Todo Poderoso pela benção
Deste alvorecer suave e puro que sossega a alma e o
Coração dos mortais... 
Bendita seja esta manhã de paz e todos seus figurantes...


Fátima Fleming

PERFIL


Inteligente... olhos grandes...
Nariz modelado,
Parecendo... assim...
Feito á mão,
A boca em contorno
Bonito... dentes perfeitos,
E os lábios de cor...
De cor de quem
Sofre do coração...






Fatima Fleming

ALENTO


Há sempre um pássaro cantando
Nos fios do poste da rua...
Há sempre uma florzinha brotando
No trincado da longa calçada...
Há sempre uma luz no sorriso
Na tarde que se fecha emburrada...
Há sempre uma nuvem escura
Murchando a alegria dos sonhos...
Há sempre um espelho de mágoas
Refletindo a tristeza da hora
De um adeus em qualquer estação
A um trem que partiu... indo embora...


Fátima Fleming

Desejo


Quero flores a perfumar meus caminhos...
Caminhar sobre espinhos sem me ferir...
Quero a certeza de um abrigo, um ninho
Quero a essência do dia a me sorrir...

Quero a plumagem macia do rouxinol
Quero o silêncio que habita o deserto
Quero em minh’alma os doces raios do sol
E um amigo manso e bom sempre por perto...

Quero ser criança, possuir o talismã
Que me de asas, liberte-me inteiramente
E na candura, na beleza da manhã
Mesclada a crença, voe livre... Docemente.



Fátima Fleming.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

CARNAVAL

Nudez... Bebidas estridente euforia
Retoque típico principal
Dos bailes de confetes e fantasias
Nos dias revoltos de carnaval,

Carnaval passageira ilusão...
Horas perdidas em extremada folia,
E a multidão se agita no cansaço do salão
Inúteis arremedos da verdadeira alegria,

Carnaval de plumas e ricos bordados
De brilhantes lantejoulas e colares coloridos,
De faces mascaradas e corpos suados
De paixões desenfreadas e corações iludidos...

Nos clubes... Nas ruas a ruidosa orgia
Para os frenéticos foliões perfeito remédio,
E tudo escoando pela alma vazia
Retendo à carcaça as dores e o tédio...

Fátima Fleming

LEMBRETE

Se vier o perdão
Bater a sua porta
Lembre-se que ainda é hoje...

Se vier a mágoa
Arrombar-lhe a harmonia
Lembre-se que é passado...

Se vier a benção
Prometida a lhe sorrir
Lembre-se que é agora...

Se vier o dissabor
Amargando-lhe o dia
Lembre-se que logo virá
O amanhã...

E quando vier a morte
E vedar-lhe o caminho
Lembre-se que és Eterno...



Fátima Fleming.

REFLEXO


O tempo passou em embevecida
Desapercebida a tecer mil vontades
Sonhando, sonhando o perfume das flores
A guardar quimeras na realidade...

Livre descalça tal qual São Francisco
Repartindo as migalhas que levo nas mãos...
Olhando as estrelas em paz esperança
Voando nas asas da imaginação...

Hoje surpreendo-me abatida e cansada
Vendo o viço da vida se desvanecer,
Porém uma réstia de fé ainda insiste
Em dizer-me que o sonho não pode morrer...



Fátima Fleming.