quarta-feira, 23 de março de 2011

LÁGRIMA

Lágrima a escorrer mansa
Dos olhos fechados em prece...
Se acaso em doce lembrança
Anima, conforta...Aquece...


Se em tempestade; impulso
A romper o dique da alma,
Se em dor; pranto convulso
Que traz o recurso da calma,


Lágrimas essência da paz...
Remédio santo eficaz...
Doce irmã na caridade,


Se em gotas ou enxurrada,
Em lamento ou calada
A igualar a humanidade...




Fátima Fleming



BAÚ

Poeira,
           Boneca,
                        Anel...


Cadarço,
             Luva,
                       Pincel....


Convite,
              Peteca,
                          Tampinha,


Cachecol,
               Espirro,
                          Velhinha...


Laço, 
           Papel
                    Desbotado....


Lágrima,
            Presente...
                         Passado.




Fátima Fleming

PARA ALGUÉM ESPECIAL

Fonte de harmonia e dedicação...
Leme conduzindo o barco
Onde navega tantos perigos...
Rumores de tempestades não assustam
Implorando a Graça do Pai Amado,
Podes tudo naquele que a fortalece!
Em tudo vês a esperança brilhar
Sem nunca, nunca cansar de remar...


Ainda que se escureça o céu
Rumo terás em Deus confiante...
Anjos celestes trazem vigor e força
Unindo bênçãos às preces tuas...
Já breve surge o horizonte ensolarado
Onde descansará o barco ancorado...


Fé e Amor te sustentam as forças
Longevidade cubra o porto da tua vida
Em todo momento Deus te abençoe...
Mãe, Leme, Amor e Direção...
Incluindo carinho e resumindo és;
Ninho que aquece se o dia é frio e mau
Guarida e socorro em qualquer temporal.




Fatima Fleming

quinta-feira, 10 de março de 2011

ANONIMATO


Criança sem lar ao relento
Maltrapilha em qualquer rua
Encolhe-se a dormir na calçada
Da casa que não é sua...

Dói-lhe fundo a dor da miséria,
O chicote do mundo hostil,
Roupa nova comprada na loja
Nunca teve, nunca vestiu...

Sem sonhos, sem sapatos
Sem sobrenome, sem alento,
Raiz fraca... Planta pequena
Quase arrancada no vento,

Segue ao léu tenebrosa franzina
Sorrindo um riso arremedo
Porém resguarda esperanças
No coração em segredo...

Assim vai perambulando... Esquecida
No espaço do anonimato...
Os sonhos se petrificando;
Ao crime, mais um candidato.


                                                                                                                          Fátima Fleming.

Crença

Ainda há tempo...
De esperar a luz da aurora
Ainda por nublado que seja
O poente que predomina o agora...

Ainda há tempo...
De vetar o ressentimento, o desgosto
E deixar que o amor pela vida
Suavize os vincos do rosto...

Ainda há tempo...
Pra buscar alegria... Vigor
Na mescla da fé e coragem
À força interior...

Ainda há tempo...
Pra refazer os passos meus
A cada degrau da escada
Com muito mais fé em Deus...

Na espera de que o amanhã
Seja melhor, mais azul, mais bonito
Para crer que a benção virá
Sim, ainda há tempo, acredito.

Fátima Fleming